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Cadernos de Samba: Desfile da Portela em 1968, com o enredo ’Tronco do ipê’. 
(Fonte: Arquivo O Globo)

Hoje é o grande dia!

É hoje o lançamento da coleção Cadernos de Samba, da Verso Brasil Editora.

Contamos com a sua presença na Livraria da Travessa do Shopping Leblon às 19h.

Maravilhosa e soberana: histórias da Beija-Flor (Aydano André Motta), Tantas páginas belas: histórias da Portela (Luiz Antonio Simas) e Marcadas para viver: a luta de cinco escolas (João Pimentel) estarão à venda a partir de hoje por R$ 30,00 cada.

Confira, a seguir, alguns trechos das obras:

Tantas páginas belas: histórias da Portela

P. 68 (Natal da Portela)

     A vida na contravenção não foi fácil. Natal sofreu 400 processos, foi preso mais de 80 vezes, cumpriu pena quatro vezes na Ilha Grande e uma em Fernando de Noronha. Enfrentou o temível matador China Preto, famoso pistoleiro do subúrbio nos anos 1950, que o ofendera em uma discussão de bar, e cometeu o crime mais falado da história de Oswaldo Cruz e Madureira – matou a tiros um valentão local, Davi, que o desafiara para tomar os seus pontos de apostas do jogo do bicho.

     Natal não fez fortuna. Gastou rigorosamente tudo que ganhou bancando os carnavais da Portela e em benfeitorias no subúrbio. Calçou mais de 40 ruas, construiu cerca de 200 barracos na Favela de São José da Pedra, ajudou na construção das igrejas de São Luiz Gonzaga, São Brás e São José e fez tantos enterros que, em certo momento, chegou a ter uma conta aberta na Funerária Guimarães, em Madureira. Tinha a superstição de achar que quanto mais enterros pagasse mais vida teria.

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Maravilhosa e soberana: histórias da Beija-Flor

P. 82-83 (Neguinho da Vala, o Neguinho da Beija-Flor)

     Um ano antes da chegada de Pinah, a Beija-Flor descobriu um dos mais importantes intérpretes da história do Carnaval. Luiz Antônio Feliciano Neguinho da Beija-Flor Marcondes – assim mesmo, à moda de Luiz Inácio Lula da Silva – é um exemplo de devoção que, no samba, só se pode comparar a Jamelão (José Bispo Clementino dos Santos) na Mangueira. Ele era Neguinho da Vala quando chegou à escola, no segundo semestre de 1975.

     Revelado pela Leão de Iguaçu, escola pequenina da vizinha Nova Iguaçu, Neguinho nasceu tremendamente pobre. Vivia catando rãs, muçuns e cascudos nas valas da vizinhança – daí o apelido. Aos 10 anos, ganhou seu primeiro concurso como cantor, interpretando um samba de Jamelão em um parque de diversões. Orgulhoso, levou para casa o prêmio: uma lata de goiabada.

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Marcadas para viver: a luta de cinco escolas

P. 97 (Episódio envolvendo integrantes da Tupy de Braz de Pina, única das escolas retratadas no livro a “enrolar a bandeira”, isto é, a encerrar definitivamente suas atividades)

     Carlinhos se lembra de personagens que a Tupy apresentou ao Carnaval, como Nenzinho do Prato, “um negro que trabalhava na feira e virou sensação tocando prato na frente da bateria”, e Macarrão, “o maior compositor da escola”. “O Macarrão era bom em samba de quadra e em samba-enredo. Havia aqui em Brás de Pina também um cantor, dos melhores que conheci nessa praia, o Timbó [Mário Timbó, compositor de vários sambas campeões na escola]. Só tinha um problema: ele bebia demais. Numa final de samba, o Macarrão o convidou pra defender sua composição e passou a noite inteira na cola dele. O Timbó até se comportou, mas o Caciça, adversário naquela disputa, sempre conseguia dar uma cachaça pra ele. Nesse dia, Macarrão se descuidou numa ida do Timbó ao banheiro e pronto: o samba se perdeu ali mesmo, num inocente xixi”, lembra Carlinhos.

Foto em destaque: Desfile da Portela em 1968, com o enredo ’Tronco do ipê’.
(Fonte: Arquivo O Globo)

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