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Memória natural

A idéia de produzir livros de Carnaval surgiu a partir de um sentimento de falta. Mas aos poucos percebi que, além da falta de uma bibliografia sobre um das mais importantes criações simbólicas popular, o Carnaval, suas religiões e todos os seus desdobramentos sociais, culturais e afetivos nos separam da ideia ocidental instrumentalizada e nos aproxima de uma outra cultura, cujo esgarçamento com a natureza e com as “coisas”, como diria Flusser, é menos devastador. Ainda.

Lendo o húngaro Villén Flusser encontrei estimulo maior para continuar em busca de recontar e contar essa parte de nossa história cultural que tem ficado muito mais na oralidade e nas coleções de imagens, do que nos livros “escritos”. Nós, brasileiros, sempre fomos devotos da fotografia, do século 19 (vide D.Pedro II) até hoje (vide revistaCaras). Por isso em nossas publicações fugimos do abuso do uso das imagens: elas, banalizadas, só valem ser reproduzidas quando raras e imprescindíveis à vida.

Além da coleção Cadernos de Samba, aos poucos estamos formando uma pequena, porém animada coleção de imagens de carnavais de outros tempos. É nesse trabalho de formiga que unimos duas paixões que culminam em nossas publicações: a produção de livros sobre a memória gráfica e a cultura popular. No livro “Impresso no Brasil” (2009) redescobrimos uma parte da memória gráfica dos primórdios da impressão no Brasil, oficializada em 1808 com a chegada da Imprensa Régia (leia, família real) até a década de 1930, quando a impressão em cor chega e populariza as revistas de costumes, com destaque para O cruzeiro.
O Carnaval, entretanto, acompanha essa linha da histórica gráfica, desde o século 19.

 

Aos poucos estamos criando um acervo da memória gráfica do carnaval. E, aqui, nesse espaço iremos mostrar algumas desses peças e livros raros, esquecidos, porém fundamentais para criarmos esse espaço de diálogo entre tempos.

Valéria Lamego